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10 lições que podemos aprender com os Navy Seals

Uma das atribuições de coordenador de turmas de pré-vestibular e pré-militar que sempre me entusiasmam é ministrar palestras para os alunos. São oportunidades excelentes para olhar nos olhos de cada um da turma e perceber como está a moral. Por isso, no final de cada palestra técnica, gosto de incluir alguns aspectos motivacionais que se conectem com o dia-a-dia dos daquele grupo.

Há vários elementos que impactam os alunos diretamente, e as histórias reais de superação e perseverança estão no topo da lista. Dentre as histórias que mais geram conexão com a turma está o paralelo entre o mundo dos vestibulandos e as 10 lições narradas pelo Almirante William McRaven em seu livro Arrume a sua cama.

A narrativa que vou apresentar nas próximas linhas já foi usada em conversas com responsáveis de alunos, diretores e futuros professores de grandes universidades do Brasil. Sinta-se à vontade para adaptá-la às suas necessidades e à sua realidade.

1) O respeito com o aluno começa com o exemplo dos professores

Ao ingressar em qualquer instituição militar, possivelmente em qualquer parte do mundo, somos introduzidos a uma série de normas e regras que precisam ser cumpridas. O descumprimento ou a falta de empenho na execução, naturalmente, vem acompanhados de consequências.

Uma das primeiras regras que temos contato é clara e simples: deixar a cama propriamente arrumada antes de deixar o alojamento. Parece simples à primeira vista, mas quem já passou pela experiência sabe que o nível de rigor é espartano e exige uma quantidade de tempo sensível até que esteja dentro dos padrões aceitáveis.

Muitas pessoas podem estranhar que futuros combatentes de elite ou engenheiros que lidem com tecnologias de ponta precisem se preocupar com uma cama rigorosamente arrumada antes de iniciar suas complexas atividades. Bem, arrumar a cama tem um significado bem mais profundo que apenas o ato em si e envolve executar, de forma bem sucedida, a primeira tarefa do seu dia.

De todos os passos da sua caminhada um dos mais importantes é o primeiro, mesmo que as vezes pareça pequena perto dos demais.

Isso tem total ligação com o mensagem que procuramos passar a nossos alunos diariamente na longa rotina em busca da aprovação. Focar em passos progressivos, valorizar as pequenas conquistas e ter a dimensão que não se vencerá o desafio exclusivamente com o exercício mais difícil da apostila, mas como uma solidez nos problemas fáceis e médios e uma teoria bem construída.

Se você quer que seus alunos passem, mostre o valor de arrumarem suas camas

2) Encontre alguém que te ajude a remar

Durante a primeira fase de treinamento para se tornar um Navy Seal os combatentes são separados em grupos de sete alunos e, a cada um desses grupos, é entregue um grande bote que deve ser conduzido para todos os lugares que a equipe for.

Ao longo das duras atividades os tripulantes vão percebendo a importância que todos possuem para chegar ao resultado final e que precisarão ajudar e serem ajudados para conseguir cumprir todas as missões.

É natural que encontremos um senso de competitividade alto ligado aos cursos direcionados à preparação no vestibular. Contudo, tive a oportunidade de ver de perto que o senso de unidade de uma turma pode ter efeitos estrondosos no resultado final, principalmente quando todos adotam o lema de: passaremos juntos. Com esse espírito, os alunos começam a dar força uns aos outros e a cooperarem em busca de um sonho que todos compartilham.

Motivados por esse espírito a equipe de coordenação e seus professores, aliados às famílias desses alunos também precisam entrar no bote e ajuda-los  a continuar remando.

Se você quer que seus alunos passem, reme ao lado deles

3) Meça alguém pelo tamanho de seu coração

Diariamente os alunos postulantes a se tornarem combatentes de elite são testados física e mentalmente pelos instrutores. O constrangimento público é constante, bem como os tarefas desgastantes e dolorosas.

Certo dia, um instrutor desafiou um pequeno aluno, de 1,60m de altura, a nadar no mar revolto, com ondas que facilmente ultrapassavam os 2m. O bravo aluno não recuou e afirmou que conseguiria realizar a tarefa, mesmo com toda intimidação do instrutor. No final da atividade, o pequeno marinheiro tinha sido um dos primeiros a executar a tarefa com êxito.

Cada etapa do treinamento dos Seals envolve provar algo, não somente para os instrutores, mas para si. Nossos alunos passam por isso também ao longo do ano. Precisam provar para si que podem contrariar as estatísticas e ingressar em cursos que tem mais candidatos do que vagas. Precisam provar que sua determinação é capaz de superar maus resultados e o cansaço. Precisam provar que seu futuro não será determinado por suas conquistas ou fracassos do passado, mas por aquilo que estiverem dispostos a fazer dali em diante.

Nossa missão como gestores, tutores e líderes desses alunos é ajuda-los a vencer as provas diárias que são colocadas à sua frente e mostrar que determinação e coragem são mais importantes que o “talento”. Para isso precisamos olhar para nomes e sobrenomes, não só as classificações em uma grande tabela. As vezes o 300° lugar de um simulado está a um “eu acredito em você” de se tornar o primeiro.

Se você quer que seus alunos passem, meça-os por sua perseverança e não por suas notas

4) Faça aquilo que você gosta

Circo é um das palavras que os combatentes mais tem receio de ouvir no treinamento de elite da marinha norte americana. O Circo acontecia todas as tardes após um longo dia de treinamentos e envolvia duas horas a mais de exercícios físicos. Para parar no Circo, provavelmente você falhou em cumprir alguma meta estabelecida pelos instrutores e, por conta disso, terá que se esforçar ainda mais.

Veja que, após uma série ainda mais exaustiva de treinamentos, possivelmente seu desempenho no dia seguinte cairá e você receberá um “convite” para mais uma vez comparecer ao Circo. É um ciclo difícil de escapar.

Embora pareça cruel, existe um outro lado da moeda. A medida que as sessões extras de treinamento vão se estendendo, os alunos começam a ficar mais fortes, ágeis e habilidosos.

Essa passagem tem total conexão com a realidade de nossos alunos vestibulandos. Muitos chegam ao final do ensino médio com lacunas em diversas disciplinas que constantemente os atormentaram. Contudo, agora não há mais espaço para deixar pra depois.

Por isso, professores, plantonistas e coordenadores precisam se unir para conseguir criar estratégias que ajudem os alunos com maior dificuldade, mesmo que isso envolva mais aulas de embasamento e estudos dirigidos. São justamente esses alunos que mais precisam de nós, o que não necessariamente envolve negligenciar os demais que estejam apresentando um melhor desempenho. Quando pensamos nas necessidades de cada aluno podemos promover aulas ou atividades personalizadas que ajudem cada um em seus objetivos.

Se você quer que seus alunos passem, dê aquilo que eles precisam e não só aquilo que querem

5) Você vai perder, aceite

Uma das situações mais desconfortáveis e revoltantes para os alunos do curso dos Seals eram as punições aparentemente arbitrárias que sofriam. Uma delas em especial forçava os alunos a rolarem por um banco de areia até estarem cobertos da cabeça aos pés. E assim permaneceriam até o final do dia.

Era difícil para os recrutas aceitarem isso, pois a recompensa por alguns de seus esforços resumia-se a água e areia.

A lição era simples: a vida nem sempre é justa! As vezes, não importa o quanto você se esforce, as coisas não saem conforme o planejado.

Essa é sem dúvidas uma lição dolorosa e que muitos vestibulandos só passam a conhecer verdadeiramente quando começam suas preparações.

A recompensa por uma semana exaustiva de estudos nem sempre é a nota esperada nos simulados. O retorno pelas horas a fio dedicadas a um conteúdo as vezes vem na forma de um exercício que simplesmente não se consegue resolver. E, no fim, o resultado de todo esforço pode não ser o esperado.

Por isso, ao longo da jornada precisamos mostrar de forma realista que as dificuldades não são um privilégio deles e que sim, as coisas podem sair da situação normal e eles terão que se adaptar e seguir em frente.

Um caso clássico foi um simulado ENEM que pedi para que o aparelho de ar-condicionado fosse desligado. O motivo? Simples, muitas salas de aulas que receberão a prova do ENEM são equipadas com ventiladores (ou nem isso). Após alguns protestos e manifestos de injustiçados, me propus a explicar o ponto e eles compreenderam. Curiosidade que, justamente nessa prova, a turma conseguiu a melhor classificação geral.

Se você quer que seus alunos passem, mostre que o vencedor é só o perdedor que tentou mais uma vez

6) Não recue frente ao desafios

Em dado momento do curso de preparação para se tornar um Navy Seal, os alunos devem passar por um longo nado noturno. Contudo, antes de iniciar a missão, os instrutores alegremente apresentam ao grupamento um briefing recheado de informações sobre todas as espécies de tubarão que habitam aquelas águas. Segundo eles, nenhum aluno foi devorado durante a atividade. Pelo menos não que eles se lembrem.

Mesmo em face dessa hostil recepção dos instrutores, uma orientação importante é passada: se avistar um tubarão, não tente nadar para longe. Fixe sua posição, encha-se de coragem e acerte um soco com todas as suas forças no focinho do tubarão. Isso o fará nadar para longe.

Veja que nossos alunos passam por situações extremamente semelhantes nos anos de vestibular. Ao longo do ensino médio e, principalmente, durante todo ano de cursinho, eles são avisados sobre todos os perigos e armadilhas que cercam nossos tubarões, os vestibulares.

Contudo, diferente do nado noturno dos futuros Seals, os vestibulandos sabem exatamente quando e onde serão “atacados” carregando consigo a vantagem de poder estudar com detalhes todas as táticas de seu oponente, e também o risco de serem devorados pelo medo do encontro decisivo.

Para que o trabalho seja realmente efetivo no final, ações integradas entre coordenação e a equipe psicopedagógica são primordiais. Exercícios de relaxamento, análises mais detalhadas sobre o desenvolvimento dos alunos ao longo do ano ajudam a entender o momento de cada um e traçar um plano de ações que lhes deem forças para dar o soco certeiro.

Se você quer que seus alunos passem, ajude-os a enfrentar seus medos

7) Dê o seu melhor nos momentos mais difíceis

Um dos momentos mais tensos do curso para se tornar Navy Seal envolve uma atividade noturna com baixíssima visibilidade e entre navios gigantescos. Se um mergulhador ficasse perturbado com o barulho do motor dos navios ou se assustasse com a escuridão do local, poderia entrar uma missão sem volta.

Aquele era um momento decisivo do treinamento. O momento de dar o seu melhor.

O vestibular reproduz com certa fidelidade esse cenário. Na hora da prova, os alunos, acompanhados ao longo de todo ano, se verão “sozinhos”. Naquele momento, responsáveis, amigos e todo staff envolvido na preparação ficarão do outro lado dos portões de entrada. Dali pra frente, não há volta. Dali pra frente é preciso dar o melhor de si.

Muitos alunos temem momentos como esse, principalmente pela possibilidade de decepcionar a si e às pessoas que admiram. Por isso, ao longo da preparação precisamos reforçar que a aprovação em si é justamente o viés não controlável de qualquer vestibular. Contudo, dar o melhor de si todos os dias, lhes conferirá mais que um nome na lista de aprovados. Dar o melhor de si se arrastará por todos os dias de suas vidas como um mantra que os inibirá de se compararem com os demais, mas olharem muito para aquilo que podem fazer.

Se você quer que seus alunos passem, faça-os darem o melhor de si em cada momento do dia

8) É preciso se jogar de cabeça às vezes

Pistas de obstáculos fazem parte de qualquer treinamento militar. Contudo, algumas tarefas envolvem vencer as pistas em tempos estabelecidos. Mesmo que você consiga passar por alguns obstáculos de forma segura, outros exigirão alguns riscos para que o tempo não estoure.

No treinamento dos Navy Seals há uma torre de 9 metros com uma longa corda presa que precisa ser atravessada. O modo mais seguro é fazê-lo por baixo. Contudo, esse também é o modo mais lento…

Certa vez um jovem recruta desafiou os riscos e se jogou de frente para corda com o objetivo de deslizar por cima da mesma. Uma manobra arriscada, até imprudente. Se ele caísse, iria se machucar. Porém o jovem executou movimentos rápidos e conseguiu um recorde que permaneceu inalcançável por alguns anos.

O cenário do vestibular não contempla apenas movimentos seguros e que sejam totalmente brandos. É preciso enfrentar planos de estudos arrojados, otimizar o tempo e alocar esforço e foco naquilo que fazemos. Tudo se baseia em planejamento e em sair da zona de estagnação.

De nada adianta também tomar 12 copos de café por dia e dormir apenas 3 horas. A lição dos Seals é clara: você precisa se dedicar aquilo que quer, sabendo equilibrar esforço e dedicação, com uma estrutura que se sustente à longo prazo.

Por isso é importante monitorar o desenvolvimento dos alunos ao longo do ano. Desafiar os alunos que estão em um cenário aparentemente sem riscos e mostrar que sempre há um novo passo a ser dado.

Se você quer que seus alunos passem, tire-os da estagnação

9) Tenha esperança

A semana infernal é um dos acontecimentos mais marcantes na jornada para se tornar um combatente de elite. Estatisticamente essa é a semana que mais alunos abandonam o curso, muito provavelmente pelos dias consecutivos sem dormir, atividades exaustivas sucessivas e a hostilidade natural dos instrutores.

Ao final da semana infernal, os recrutas são convidados a entrar em um pântano e lá conhecerão o verdadeiros significado da palavra frio. Conforme a noite vai caindo, os ventos torturantes fazem com que os alunos tremam e se debatam de frio. Para estimular as desistências, os instrutores se posicionam perto de uma grande fogueira com direito a canja de galinha quentinha para qualquer um que desista do treinamento e saia da lama.

Como forma de combater o desejo instintivo de desistir, é comum ver as tropas começarem a cantar. Cantar cada vez mais alto e com cada vez mais força. Essa prática que é bastante comum em longas corridas e caminhadas de grupamentos militares. Nada tem a ver com a canção em si. O canto é, as vezes, o sopro de esperança daquele grupo que logo o sofrimento terminará. É a certeza que você não está sozinho e que o grupo não lhe abandonará.

Cantar é o reflexo de algo que nunca pode nos abandonar: a esperança.

É comum vermos no segundo semestre do ano vários alunos desanimados e sem esperanças em suas aprovações. Esse é o momento mais propício para que nossas palavras toquem seus corações e lhes confiram forças para continuar na batalha. Nessas horas, recomendo investir em histórias reais de superação. Podem ser as suas, inclusive. Chame ex-alunos e renove, de forma sincera, as esperanças da turma mostrando que aquela missão é cumprida por seres humanos que, assim como eles, também tiveram medo e vontade de desistir um dia.

Se você quer que seus alunos passem, encha seus corações de esperança

10) Nunca toque o sino

Logo no primeiro dia de treinamento, os novos alunos são recepcionados pelos instrutores que farão questão de demonstrar o quanto eles não são bem-vindos naquele lugar. O quanto cada momento será destinado à fazer com que cada um sucumba e desista.

Contudo, para aqueles que não quiserem mais sofrer as dores da trajetória há uma escapatória. No centro do pátio há um grande sino de metal que se tocado três vezes livrará aquele aluno de todas as adversidades e sofrimento. Se tocarem o sino, os treinamentos exaustivos acabam. Não será mais preciso acordar cedo e tudo que lhe incomoda poderá ser evitado.

Mas os instrutores fazem questão de alertar a todos do principal: se desistirem, vão se arrepender para o resto da vida. Desistir não torna nada mais fácil.

Muitos de nossos alunos vivem na corda bamba e são tentados diariamente a desistir e abrir mão de seus sonhos. Na maioria das escolas há inclusive dois “sinos” para testá-los: um antes e um depois de cada aula.

De todas as lições que aprendemos na vida, a mais importante é essa: nunca toquem o sino. Não desistam dos seus sonhos.

Lembre-se que cada vestibulando carrega consigo um sonho há muito mais que só um ano e continuará a carrega-lo por muito tempo. Quando chegam às escolas e cursos, cada um desses alunos e alunos estende na nossa frente esses sonhos. Cabe a nós ter cuidado ao passar por eles.

Se você quer que seus alunos passem, nunca deixe que toquem o sino

- Thiago Moza Pinheiro, Co-fundador Fatorial Educação

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